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sábado, novembro 06, 2010

Livro "Produção e Colaboração no Jornalismo Digital"

Atualização (dez/2010): coloquei alguns exemplares para venda em BH nas livrarias
Atualização em out/2011: vendas direto pelo site da editor Insular

Tem livro novo na praça: Produção e Colaboração no Jornalismo Digital será lançado na terça, dia 09 de novembro, durante o 8º Encontro da SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo).

A obra é um produto da Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais e reúne trabalhos de 16 pesquisadores de 10 instituições espalhadas Brasil afora.

Está lá um artigo de minha autoria em parceira com a ex-aluna da UFV Gabriele Maciel: "Edição jornalística x edição colaborativa: tensões na home da Folha Online"
 

terça-feira, setembro 28, 2010

Entrevista sobre Wikificação do Jornalismo

Começou com um artigo para o livro Metamorfoses Jornalísticas 2,

ganhou fôlego com algumas experimentações com alunos no site do curso (ver paper apresentado no Expocom 2010)

e eis que a idéia de Wikificação do Jornalismo vai repercutindo por aí.

Na semana retrasada recebi a notícia de que uma versão melhorada do artigo "Wikificação como modelo de edição de conteúdos jornalísticos na web" foi aceita para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC. Um respaldo e tanto para uma proposta que entra em rota de colisão com algumas tradições jornalísticas. Atualização: a versão do artigo no periódico está aqui.

Levando adiante as perguntas instigantes feitas no Intercom 2010, o Herdeiro do Caos (vulgo Yuri Almeida) publicou hoje uma entrevista comigo sobre o tema. Lá desenvolvo mais algumas idéias que, espero, estarão nas próximas publicações e nas experimentações futuras. Participou da entrevista o Thiago Araújo, meu orientando na UFV.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Evento "Ensino de Jornalismo e Convergência"

Nos dias 26 e 27 de agosto estive em Florianópolis para o "I Seminário de Ensino de Jornalismo".

Como estava em "missão oficial" (como coordenador de curso, quero dizer), acabei publicando um post no blog "Em Viagem", um dos desdobramentos do site do curso da UFV.

Dê um passada por lá então...

quarta-feira, agosto 18, 2010

WikiFactCheck, ou checando dados através de um wiki

Há algum tempo venho falando e escrevendo sobre as potencialidades de uma wikificação das práticas jornalísticas, o que permitiria que as redações e os profissionais da notícia incorporassem parte das práticas bem-sucedidas dos wikis e, em especial, da Wikipédia (ver artigos publicados em 2009 e 2010).

Um projeto lançado há pouco nos EUA exemplifica bem uma possibilidade dessa wikificação: o WikiFactChecker, um wiki voltado para checagem colaborativa e aberta de informações "suspeitas" divulgadas por fontes e instituições.

A checagem piloto parte de um debate político no programa Face the Nation, da rede de TV CBS. A íntegra da discussão foi reproduzida no wiki (fora disponibilizada anteriormente no site da emissora!) e todos estão convidados a conferir e questionar os dados e versões divulgados pelos republicanos e democratas.

A adesão dos voluntários nos primeiros dias parece pequena, é verdade, mas o potencial é enorme, ainda mais se concentrado em eventos específicos como este programa de TV.

O mentor do projeto é o professor Andrew Lih, autor do livro Wikipedia Revolution e professor da University of Southern California Annenberg School of Communication and Journalism.

A acompanhar, sem dúvida.

Para mais, ler o artigo Truth-o-Meter, 2G: Andrew Lih wants to wikify fact-checking.

Atualização: nos comentários, o todearaujo lembrou uma interessante experiência de apuração distribuída liderada pelo jornal The Guardian no ano passado. A experiência está relatada neste artigo do Marcelo Träsel.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Venda do "Metamorfoses Jornalísticas 2" em BH, Viçosa e região


Atualização em nov.2010 - em BH, livro à venda nas livrarias
Atualização em out.2011 - venda diretamente pelo site da Edunisc.

Na correria do fim de 2009, acabei deixando de divulgar por aqui o lançamento do livro "Metamorfoses Jornalísticas 2- a reconfiguração da forma" (ed. Edunisc), organizado pelo Demétrio Soster e pelo Fernando Firmino.

No meio de um monte de feras, está lá um texto meu: COLABORAÇÃO, EDIÇÃO, TRANSPARÊNCIA: desafios e possibilidades de uma “wikificação” do jornalismo.

Temos agora um novo gancho para divulgar a obra: como a distribuição é mais restrita, peguei 15 exemplares direto com a editora e deixei pessoalmente em algumas livrarias da Savassi, em BH.

Ainda estou com alguns livros para vender diretamente para os interessados em Viçosa, BH e região. É só me contactar.

Sobre o livro

Antes do release e do sumário, um depoimento como "leitor": posso garantir que é uma coletânea muito instigante, tanto para profissionais quanto para estudiosos de qualquer área do jornalismo. Mais do que um suporte ou um referência teórico, o que une os textos é desafio de refletir sobre a transformação midiática enquanto ela acontece, levando a sério um conceito ousado como o de Metamorfoses Jornalísticas.

"O jornalismo já não é mais o mesmo. Questões tecnológicas, sociais e legais vêm modificando o campo em ritmo acelerado." É assim que começa o prefácio do professor-doutor da PPGCOM/UFRGS, Alex Primo, para o livro Metamorfoses Jornalísticas 2: a reconfiguração da forma (Edunisc, 2009), organizado pelos professores Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva e que será lançado em Porto Alegre (14/11), durante a 55ª Feira do Livro, e em São Paulo (26/11) durante o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo - SBPJor. A capa foi elaborada pelo designer Rudinei Kopp, autor de Design Gráfico Cambiante.
O livro trata-se de uma obra indispensável para professores, estudantes, pesquisadores e profissionais para pensar as transformações pela qual o campo do jornalismo passa nos seus aspectos de produção, distribuição e recepção de conteúdo com os processos de digitalização, convergência e de multiplicação de plataformas midiáticas. Catorze autores, especializados em suas respectivas áreas, lançam olhares e questões sobre os fenômenos emergentes em torno do jornalismo contemporâneo com a crescente complexificação de seus processos. Infografia, midiatização, jornalismo móvel, blogs, Wikipédia, radiojornalismo, telejornalismo, redes sociais, gêneros, fotojornalismo e documentários são alguns dos temas tratados nesta edição.
O livro é o segundo volume da série Metamorfoses Jornalísticas. O primeiro tratou das "formas, processos e sistemas", enquanto que o segundo analisa as "reconfigurações da forma" do fazer jornalístico. Ambos volumes se inserem em um contexto mais amplo, do qual fazem parte ainda dois outros livros – Edição em jornalismo: ensino, teoria e prática (Edunisc, 2006) e Edição de imagens em jornalismo (Edunisc, 2008), cujo objetivo tem sido observar as complexificações que se estabelecem no jornalismo a partir do momento em que ele se vê imerso em um cenário altamente tecnologizado, tendo a internet como ponto de referência sócio-histórico.
................................................................

O SUMÁRIO:

PREFÁCIO
Alex Primo

APRESENTAÇÃO
O SEGUNDO PASSO
Demétrio de Azeredo Soster, Fernando Firmino da Silva

COMO O DISPOSITIVO PREPARA PARA O GÊNERO JORNALÍSTICO?
Lia Seixas

REDES SOCIAIS NA INTERNET, DIFUSÃO DE INFORMAÇÃO E JORNALISMO: elementos para discussão
Raquel Recuero

OS BLOGS E OUTRAS NARRATIVAS DO CIBERESPAÇO
Cláudio Cardoso de Paiva

COLABORAÇÃO, EDIÇÃO, TRANSPARÊNCIA: desafios e possibilidades de uma “wikificação” do jornalismo
Carlos d’Andréa

REPORTAGEM COM CELULAR: A visibilidade do jornalismo móvel
Fernando Firmino da Silva

SOBRE ZH: Zero Hora Responde
Antonio Fausto Neto

MODELO PARA ANÁLISE DO JORNALISMO MIDIATIZADO
Demétrio de Azeredo Soster

ESPAÇO CRÍTICO NO JORNALISMO: para além da indústria, do intelectual e do consumo polêmico
Jairo Ferreira

DO ANALÓGICO AO DIGITAL: notas sobre o telejornal em transição
Fabiana Piccinin

A TRAVESSIA DO ANALÓGICO PARA O DIGITAL NA TV CABO BRANCO – PARAÍBA
Águeda Miranda Cabral

BASES DE DADOS E INFOGRAFIA INTERATIVA: novas potencialidades, conceitos e tendências
Adriana Alves Rodrigues

VALOR NOTÍCIA X VALOR IMAGEM. FORMATOS DO FOTOJORNALISMO EM REDES DIGITAIS
José Afonso da Silva Junior

O PROCESSO DE MUTAÇÃO DA PRODUÇÃO DO
RADIOJORNALISMO

Nelia R. Del Bianco

O OLHAR DE VERTOV PARA VER HOJE
Jair Giacomini

quarta-feira, abril 15, 2009

Rumo ao 12º ENPJ: artigo "Jornalistas 2.0..." e outras pautas

Sim, o blog anda às moscas: acúmulo de burocracias, aulas já em ritmo acelerado, nova versão do projeto de doutorado em gestação, projetos de sites, novos artigos com deadlines à vista... e uma certa letargia, confesso.

O post é mais para registrar que nesta sexta, dia 17, começa o 12ºEncontro Nacional do Professores de Jornalismo, que este ano será na boa e velha BH.

Estarei lá acompanhando os debates, que, espero, trarão novas informações sobre o momento "quente" da área de jornalismo.

Na conferência de abertura, por exemplo, o professor Alfredo Vizeu, da UFPE, falará sobre "O ensino de jornalismo no Brasil e as diretrizes curriculares: idas e vindas de um processo de consolidação do jornalismo como campo acadêmico" (Vizeu é membro da comissão nomeada pelo MEC para rever as diretrizes dos cursos de jornalismo).

No sábado à tarde, apresento o artigo
"Pela formação de “jornalistas 2.0”: relato de projeto acadêmico com blogs, Twitter e podcasts", que é um relato crítico de uma atividade desenvolvida em 2008 2 com uma das turmas da UFV (resumo abaixo e artigo relacionado no carlosdand.com). Os blogs citados no trabalhos podem ser acessados aqui.

Infelizmente o site oficial não tem a programação detalhada dos GTs e o sistema de busca dos artigos é um tanto deficiente, mas vale a pena dar uma checada na relação de Autores, Resumos e Trabalhos.

É um pouco improvável, mas de repente posso tuitar algo de lá.

E quem sabe sai algum post aqui ao final do evento.

D´ANDRÉA, C. F. B. Pela formação de "jornalistas 2.0": relato de projeto acadêmico com blogs, Twitter e podcasts". In: 12 Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, 2009, Belo Horizonte. Anais... 2009.

Resumo: Este artigo apresenta e problematiza um projeto acadêmico desenvolvido com alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Cada grupo de alunos foi responsável pela concepção e atualização de um weblog sobre um tema à sua escolha, além de um canal no serviço de microblog Twitter e de um podcast. Além de adequar os processos jornalísticos tradicionais (pauta, apuração, redação, edição) às especificidades do webjornalismo (e, especificamente, dos blogs), procurou-se desenvolver habilidades específicas do trabalho jornalístico na internet, como uma ênfase em gestão de conteúdo, relacionamento com o público e análise de estatísticas de acesso. Após uma discussão conceitual sobre as novas demandas no atual contexto de atuação profissional do jornalista e as possibilidades para o ensino na área, são detalhadas e discutidas as atividades desenvolvidas ao longo de um semestre letivo.

Palavras-chave: Webjornalismo. Blog. Microblog. Podcast.

sábado, março 14, 2009

Convergência - por aqui e pelo mundo

Convergências de mídias é o tema da semana que chega no curso de Comunicação Social / Jornalismo da UFV, onde leciono.

Na quarta, dia 18, recebemos o jornalismo Robson Leite, analista de mídias convergentes do grupo Diários Associados, conglomerado de comunicação que, em BH, reúne o jornais Estado de Minas e Aqui, TV Alterosa, portal UAI e rádio Guarani (mais informações sobre a palestra e o convidado).

Estamos preparando uma mini-cobertura multimídia e espero publicar alguns links aqui no fim da semana.

Coincidência ou não, tirando o atraso na leitura de feeds me deparei com três materiais preciosos sobre convergência - são ótimas leituras preparatórias para o debate (tem algum aluno aí?).

A Ana Brambilla linkou o projeto "Documental Multimedia Redacciones On Line", coordenado pelo argentino Alvaro Liuzzi, que gravou, em vídeo, depoimentos de editores sobre as adaptações das redações jornalísticas em países de língua espanhola. Temas como "El proceso de integración de redacciones", "Cobertura informativa y turnos de trabajo" e "Blogs y contenido multimedia" são discutidos. Um resumo está no vídeo abaixo:




Lá no GJOL Fernando Firmino deixou a dica do recém-lançado livro "Periodismo Integrado - convergencía de medios y reorganización de las redacciones", de Ramón Salaverría e Samuel Negredo. Um dos grupos de mídia estudados é o Estado de São Paulo.

Dá pra baixar o case do inglês Daily Telegraph.

Entre vários textos interessantes, Andre Deak linka outro material de Salaverría (e José Alberto Garcia Alvilés: o artigo La convergencia tecnológica en los medios de comunicación: retos para el periodismo.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Jornalismo de links e os limites da concorrência

Uma empresa indica um produto do concorrente, e este a processa?

Estranho, não?

É o que está acontecendo nos EUA, onde o grupo GateHouse Media entrou na justiça contra a New York Times Co. com a alegação de violação de copyright e propaganda enganosa, entre outras irregularidades.

Tudo isso porque um dos jornais que pertencem ao NYT, o The Boston Globe, tem republicado chamadas e leads (seguidos de links para a matéria original) de um site local do grupo GateHouse, o Wicked Local.

Os acusados defendem-se argumentando que o Boston.com (site hiperlocal do The Boston Globe) é um agregador de conteúdos sobre a cidade e a indicação de links é uma das práticas mais comuns da internet, a começar pela busca Google e por blogs.

A disputa parece-me mais um capítulo da disputa entre a velha e a nova mídia - no caso, entre velhas empresas e seus esforços e limitações de adequação aos novos tempos.

Ao ler sobre o caso me lembrei dos processos movidos contra o agregador Google News pela Agência France Press e pelo grupo belga Copiepresse, que o acusaram de violação de direitos autorais.

Para "resolver" a questão, o Google deixou de indexá-los - um tiro no pé do departamento jurídico das duas empresas! (no caso da AFP, houve um acordo em 2007).

Vale a leitura detalhada do post A Danger to Journalism, do Machine 2.0. Um trecho sobre a importância do link:

Links are the bloodstream of the web, carrying its oxygen. Links are how original journalism will get audience, traffic, branding, attention, credit, and monetization. Links are a gift and a courtesy. Links are the means to better-informed communities. (...) Links are also the key to specialization and efficiency; they will allow a local publication to do local well and link to other stories rather than rewriting them: Do what you do best, link to the rest.


Separei mais algumas indicações sobre o assunto, que muito me interessa:

Sobre a tendência de linkar sites de empresas concorrentes: Extra, Extra! O “tabu da concorrência” foi quebrado.

Ainda em português, Organizações aderem ao "jornalismo de links" e Jornalismo interativo: links não bastam.

Um blog muito bacana sobre o tema é o Publish 2.0 - The (R)Evolution of Media. Está lá uma apresentação do que é Link Journalism - há inclusive uma ferramenta para isso.

Alguns posts que destaco:

Digital Transition: From Redundant News Coverage To Original Link Journalism

Permanent Link to Networked link journalism: A revolution quietly begins in Washington state

domingo, janeiro 04, 2009

Morto ou não? Boatos na Wikipedia, twitter e jornalismo

2008 terminou com mais uma mini-polêmica em torno da Wikipédia: no dia 28 de dezembro a versão em inglês foi atualizada com a informação da morte do ator Paul Reiser. Pouco conhecido noBrasil (sua atuação mais marcante foi na série Mad About You, nos anos 90), Reiser teria morrido no Rio Squallahasse, onde praticava “fly fishing”.

Fiz pesquisas sobre a publicação (e apagamento) da informação na Wikipédia, a discussão em sobre a veracidade ou não no Twitter e a repercussão em sites noticiosos. Valem alguns comentários:

- A primeira informação na Wikipédia sobre a suposta morte foi a inclusão da data de falecimento (12/27/2008) no infobox do artigo sobre Paul Raiser. A data foi retirada dois minutos depois; em quatro minutos acrescentaram-se informações sobre o acidente fatal e, em menos de um minuto, a frase foi retirada.

Sucede-se então uma guerra com mais de trinta edições entre 27 de dezembro e 02 de janeiro, quase sempre com usuários não cadastrados (identificados pelos IPs 206.53.144.121 e 68.40.80.155, entre outros) acrescentando dados da morte para, em seguida, serem desmentidos por outros, cadastrados ou não.

Entre mudanças do tipo “was an actor” e “is an actor”, destacaram-se dois comentários, no meio do artigo, defendendo a sobrevivência do autor: “paul reiser is alive!!!” e “I spoke to Paul Reiser today and he say he's not dead yet (…)”. Foram devidamente apagados nas edições seguintes.

Surpreende aqui que nenhum administrador tenha restriguido a edição dos artigos, por exemplo impedindo a edição por usuários não-cadastrados.

- Aparentemente o primeiro noticioso online a reportar a “barriga” foi o site de entretenimento EOnline, com a nota Paul Reiser Rises From Wikipedia Death, publicada no dia 31/12 e pouco depois reproduzida no Yahoo! News.

O tom, como sempre, é ironia e questionamento à confiabilidade da enciclopédia wiki. Sequer há resultados no Google para "Squallahassee River", criticou a matéria da EOnline e do Huffington Post. Mais um rumor da "gossipsphere" (algo como fofocosfera), disse um repórter do Post Chronicle, para em seguir decretar, em negrito: Wikipedia is not a credible source people.

Também chama a atenção do desconhecimento de como um wiki e a Wikipédia operam. Segundo o texto da EOnline,
It's unclear exactly when the entry was tinkered with or how long it had been up, but less than two hours after it made for blogosphere fodder, the offending passage, along with the actor's supposed date of death, was removed.
Isto é, o repórter desconhece o recurso Histórico da ferramenta wiki, que vem a ser um dos grandes mecanismos de transparência (e, por que não, segurança) para sites tão abertos quanto a Wikipédia.

- Antes do canal do Eonline no Twitter replicar a nota publicada no site, a informação já circulava na twitosfera (que talvez tenha sido a fonte para a nota jornalística, já as reversões na Wikipédia em geral não tardaram).

Aparentemente o usuário snakeproof foi o primeiro a disseminar a informação no Twitter. Coincidência ou não, seus updates estão protegidos, mas há ocorrência de respostas a um tweet seu. Sidebeer escreveu no dia 27/12, "dia da morte" de Paul Reiser:
@snakeproof I'm almost certain Paul reise r is alive.

Pouco depois, BenMarvin anunciou ter editado o artigo na Wikipédia:

@snakeproof I just edited Paul Reiser's Wikipedia article to let the worl d know he's dead

O comportamento deste usuário mostra a força que um boato pode ganhar através das redes sociais, não importando a falta de informações concretas para confirmá-lo. Já no dia 31, alheio às informações ao contrário, escreveu:
Absolutely nothing around me indicates that Paul Reiser is still alive. I will continue to edit Wikipedia.
Como assim nada indica que o ator está vivo?

Havia alguma prova de que estaria morto??

2009 promete muitas guerras de informação...

Post relacionado: Sobre abarriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Novas funções do jornalista (e o dilema da formação)

Eis aqui alguns links colecionados nos últimos dias por este professor cada vez mais incomodado desafiado + surpreso (valeu o toque, Kelly e Alex) com os rumos do jornalismo e da formação deste profissional. (Links sem muitos comentários, pois o eminente recesso de fim de ano faz pesar de vez o cansaço acumulado e adiar para 2009 reflexões mais definitivas...)

Search editor.
Statistics editor.
Project editor.
Link editor.
Community editor.
Network editor/ conversation editor.
Tag editor.
Mashup editor.
Web quality editor.
Internet editor.
São dez tarefas emergentes no jornalismo online. Mais em Ten roles for journalists (via Ponto Media)

Su lugar de trabajo está donde haya conexión a Internet. Con un portátil, una cámara y un teléfono son autosuficientes
O jornalismo em mobilidade: Periodistas sin redacción (El Pais)

10 mudanças no papel dos jornalistas

1- Um jornalista tem que saber trabalhar para mais do que um meio. Tem que ser polivalente e conhecer diferentes linguagens.
2-Um jornalista é o seu próprio editor.
3-Um jornalista é uma marca.
4-Um jornalista tem que estar em rede.
5-Um jornalista é um produtor.
6-Um jornalista é um arqueólogo de informação.
7-Um jornalista é um moderador.
8-Um jornalista é um autenticador.
9-Um jornalista é mais polícia de trânsito do que investigador privado.
10-Um jornalista é um DJ.

(e 5 coisas que se mantém)

1-O jornalista é um profissional especializado na recolha, tratamento, criação e gestão de informação;
2-O jornalista trabalha para a sociedade;
3-O jornalista é curioso por natureza, e procura saber mais do que mostram;
4-O jornalista é o primeiro garante da liberdade de expressão e informação;
5-O jornalista é um alvo;

Detalhes no post de Alexandre Gamela em O Lago


The Aggregator-Sub
The Mobile Journalist (MoJo)
The Data Miner
The Multimedia Producer
The Networked Specialist
Community Editor

são algumas atividades mapeadas por Paul Bradshaw em Model for the 21st century newsroom pt.6: new journalists for new information flows

É indispensável convergir à escala empresarial e tecnológica antes de acontecer uma integração dos profissionais e dos conteúdos", defendeu Ramón Salaverría, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, Espanha, e subdirector do departamento de projectos jornalísticos da Universidade de Navarra, Espanha.
Repercussões do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo em Ramón Salaverría: Ciberjornalismo era inevitável mas não pode cingir-se aos jornalistas (via @danibertocchi)

E agora? Você vai trabalhar onde? Vai pedir emprego pra quem? Aliás, o que é você mesmo? Publicitário? Relações Públicas? O quê?

Quer uma dica? Não peça emprego; crie oportunidades de trabalho. Esse é o jogo.

O bicho é feio? É feio. É bem feioso. Mas acredito piamente que com calma, muito esforço e competência você doma a fera cabeçuda e ainda sai bonito na foto.
O estudante de comunicação e o bicho que o espera (Zeca Martins, no Webinsider)

terça-feira, dezembro 09, 2008

Erros e acertos da agregação de conteúdo pela BBC

Lembra da discussão sobre agregação de conteúdo e jornalismo que propus aqui na semana passada?

Se gostou, recomendo (muito) a leitura do artigo Mumbai, Twitter and live update, do editor do site da BBC, Steve Herrmann.

Ele faz uma análise da cobertura em tempo real proposta pelo veículo, destacando os acertos e os erros do processo de incorporação de conteúdo gerados pelos usuários sob a chancela da BBC.

No cerne da questão, a apuração jornalística.

Não deixe de ler, inclusive pelo exemplo de humildade que um editor deveria sempre ter.

Outro post relacionado: Sobre a barriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

terça-feira, dezembro 02, 2008

Entre o jornalismo e a agregação de conteúdo

Qual a diferença entre as práticas jornalísticas e as interfaces de agregação de conteúdo (no modelo live streaming, por exemplo)?

Até que ponto a incorporação de ferramentas como o Cover it Live (ou mesmo a transmissão experimental do Roda Viva) podem esvaziar um discurso e projetos jornalísticos marcados por escolhas editoriais e pelo trabalho criterioso de edição de um profissional (ou não!) da área?

Provocado por alguns alunos céticos ou entusiastas demais, e também após um improvisado debate após a apresentação da Gabriela Zago na ABCiber, venho pensando nesta questão há algum tempo.

Uma boa situação de análise: a intensa publicação de conteúdos por usuários comuns nos momentos mais críticos da tragédia em Sta Catarina e dos atentados terrorista em Mumbai, na India.

O Tiago Doria registrou o AllesBlau (blog com notícias de Blumenau), Mahalo (página especial sobre os ataques na India) e o liveblogging de estudantes holandeses como exemplos de hubs de informação e curadoria de conteúdo (grifos dele).

Como registrei nos comentários lá, não sou contra a iniciativa de agregação de conteúdos externos e/ou colaborativos, em sites jornalísticos inclusive, mas acho que a mediação clássica do jornalista (o que é ou não notícia para um determinado veículo, por exemplo) não pode ser abafada por fluxos contínuos de informação. Mais do que credibilidade, me refiro a escolhas que um veículo TEM que fazer, principalmente numa era de excessos informacionais como a atual.

Segundo Doria, Ariel Gajardo, um dos criadores do AllesBlau, disse que no blog “não existem amarras editoriais”. A palavra amarras nos remete a censura, ocultamento etc. Se for assim, ok.

Mas entendi a palavra como um sinônimo de filtro, isto é, o blog não teria filtros editoriais. Isso pode ser um mérito, ou uma necessidade, para um veículo surgido numa situação de exceção com a de Sta Catarina, mas é um suicídio editorial em tempos normais.

O que diferencia um veículo e cativa o público é justamente seu filtro editorial, não?

Fazem coro a esta argumentação dois textos publicados recentemente: em Jornalismo é mais do 140 caracteres, Luis Weis, ao reividindicar o papel a ser cumprido pela mídia impressa nestas situações, a contrapõe aos microblogs e ferramentas afins:
Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.
Em entrevista ao site Hipercritico.com (e linkada pelo GJOL), Rosenthal Calmon Alves disse uma frase que sintetiza esta discussão (em negrito):
yo soy muy optimista en relación a la importancia que el periodismo va a tener en el futuro, porque cuando todo el mundo habla, nadie habla. La voz del periodista profesional, al lado de la voz del periodista no profesional, va a tener una importancia central que va a iluminar el camino de la información.

Quer mais? Dê uma olhada nos comentários da instigante pergunta do blog TwiTip: Twitizen Journalism: Can Twitter Be a Real News Platform?

Meio off-topic: Registrei no Twitter, mas vale citar de novo a iniciativa do jornal Diário do Litoral que, impedido de circular por causa das enchentes, criou logo um blog e um canal no Twitter e manteve-se na ativa. E sem perder o bom humor, uma característica do Diarinho, dizem os leitores habituais. Não foi nenhuma iniciativa inédita, sabemos, mas louvável.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Sobre a barriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

Desde que o Caio me mandou o link, estou aqui matutando sobre a "barriga" que o site colaborativo IReport e, por tabela, a CNN tomaram com a divulgação de um suposto infarto sofrido por Steve Jobs na última sexta.

Para quem não se lembra o IReport é um site auto-denominado jornalístico que permite a publicação de um conteúdo sem aprovação prévia pela CNN, sua proprietária. Veja a tradução do "manifesto" bancado pela emissora no post CNN: fim da mediação jornalística? (leia também os comentários, abundantes graças à repercussão da Ana Brambilla).

A informação foi publicada pelo usuário Johntw (já eliminado do site), em sua primeira participação. Ficou apenas 20 minutos no ar, o suficiente para espalhar via blogs e microblogs uma onda especulativa - o blog Silicon Alley Insider faz uma interessante retrospectiva do processo viral, que repercutiu inclusive no valor das ações da Apple.

Este mesmo blog, aliás, foi um dos que repassou a informação equivocada e, num outro post, justificou a decisão de repassar a informação sem confirmá-la. Um trecho interessante:
We knew that our readers would want to know about the story and evaluate it for themselves. So we did what we did what we usually do in such cases: We published a post describing the iReport story and noted that, true or false, this was a big moment for citizen journalism.
A informação foi alterada quando uma fonta da Apple desmetiu o fato. Deveria o blog ter tirado esperado a confirmação do fato antes de publicá-lo? Eles mesmos respondem e se defendem:

Most of our readers were grateful that we drew their attention to the iReport story and very grateful when we reported that the story was false. A small, vocal minority, however--including some members of the mainstream media--believe we should have waited to comment on the iReport story until we had heard back from Apple.

We respectfully disagree.

(...)

Sometimes this information is fact. Sometimes it is rumor or scuttlebutt. Sometimes it is speculation. Always it is information that we believe is credible or interesting enough to bring to our readers' attention.

Quer dizer: na avaliação dos editores do blog Silicon Alley Insider (e de tantos outros que repercutiram o fato), rumor e especulação também são informações.

Isso para o jornalismo é grave.

Pergunto:

onde estão os profissionais?

Se todos querem agir como usuários comuns (com os do IReport), quem vai mediar as relações informacionais?

Como alguém pode afirmar que o "jornalismo cidadão" falhou (como disse Publishing 2.0) em seu "primeiro teste significativo" se eles mesmos não fizeram jornalismo, pelo com rigor mínimo que ainda diferencia esta prática de outros modelos de produção de conteúdo?

Outra pergunta levantada: o fato arranha a imagem e a credibilidade da CNN?

Para Sarah Perez, do ReadWriteWeb, e Tiago Doria, sim.

Acho que a CNN valhou ao rotular seu site como jornalismo colaborativo.

É um site de conteúdo gerado pelo usuário (UGC), onde as falhas são normais e esperadas.

Esta é, aliás, a reflexão do artigo The Problem with Citizen Journalism, do Poynter Online (via Fábio Malini).

Estranha-me, repito, a viralização irresponsável do relato por profissionais e a condenação das práticas colaborativas.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fim do editor? (ou do diagramador???)

Estou aqui intrigado, estarrecido até a partir do post Nova rotina de produção jornalística pode acabar com a função de Editor, publicado no blog do GJOL.

Segundo o relato de Marcos Palacios (o link original está quebrado), a rede de jornais Express vai implementar uma rotina de automatização no fechamento dos jornais impressos (diagramação por templates, por exemplo) que implicará na demissão de 80 editores do Daily Express e Sunday Express, entre outras publicações britânicas.

Atualização em 03/10 - a matéria do Guardian está aqui - obrigado, Thiago. Vale então uma tradução do trecho do documento "Mudando a maneira de trabalhar", direcionado aos jornalistas do grupo:
Estamos propondo uma pulicação direta das matérias no sistema pelos repórteres. As páginas seriam concebidas pelo backbench(?) e desenhada pelos designers, como hoje. Os reporteres teriam uma "fôrma" para os textos, com as fontes e estilos pré-definidos, e encaixariam o material neste modelo.

Finalizado, os repórteres e redatores checariam o formato usado, o texto seria editado pelo pelo "newsdesk" e uma equipe de revisores/editores escreveriam as manchetes e fariam as mudanças necessárias. Os advogados do turno da noite (!) checariam as histórias, como já fazem hoje.
Agora está parecendo que estão esvaziando mesmo é a função do diagramador!)

Bem, se esta for uma tendência, só posso dizer que não estou entendendo mais nada.

Se há algo que venho defendendo nos últimos anos, é que a função de editor ganhará fôlego na era da produção jornalística abundante (e mesmo redundante, via agência de notícias) e/ou colaborativa (edição compartilhada, em alguns casos).

Mesmo se for um programador de algoritmos editoriais (conceito que pretendo desenvolver em breve), como no Digg ou Overmundo, o jornalista continua sendo um mediador, ou editor.

Alguém concorda (ou discorda)?

terça-feira, setembro 30, 2008

ODisco, um site colaborativo para os indies de MG

Estrou no sábado, dia 27 de setembro, ODisco, novo site auto-denominado "o primeiro portal de jornalismo musical colaborativo de Minas Gerais".

Tem esquema básico dos sites colaborativos: o público pode enviar, comentar, votar etc - o material passa por três editores responsáveis pela filtragem do conteúdo. Ainda terá uma "coluna dedicada a grandes nomes ligados à produção nacional", como o jornalista Luiz Cesar Pimentel, que já se apresenta por lá.

Gostei da entrevista do João Donato e do design a la Overmundo, e senti falta de RSS, perfis editáveis dos colaboradores e mais informações da cena local.

Estou na torcida pelo projeto.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Cobertura colaborativa da chuva de granizo em BH

Há algumas semanas publiquei um post comentando a cobertura do portal UAI no incidente que culminou com o suicídio de um estudante na Faculdade de Letras da UFMG. Uma das críticas registradas foi a falta de integração entre o conteúdo enviado pela colaborado e o material produzido pela equipe do site.

É legal perceber um avanço algumas semanas depois. Na quarta, dia 17, uma forte chuva de granizo atingiu BH e região metropolitana e causou estragos de grandes proporções. Além de cenas ótimas, que nenhuma equipe jornalística conseguiria registrar.

Em pouco tempo começaram a chegar à redação e-mails com vídeos produzidos por usuários em diferentes locais da cidade (sim, o material chegava por e-mail, já que a seção colaborativa não está 100% implementada). Segundo a jornalista Valéria Mendes, editora repórter do site da TV Alterosa, "foram tantos (e-mails) que a redação parou por umas 2 horas, ninguém conseguia atualizar conteúdos". Ao todo, nem um terço do material recebido foi usado (decisão interessante não sobrecarregar o usuário com informações redundantes).

A cobertura rendeu:

- uma página foi editada e atualizada com informações apuradas pelo portal e ilustrada por vídeos selecionados. Esta página está linkada com
- outra página só com os vídeos filtrados, alguns deles os mesmos publicados na página acima.
- uma versão editada dos vídeos veiculada no Jornal da Alterosa 2ª Edição, no fim da tarde

Estou elogiando, mas também vou criticar : as galerias de imagens com fotos do acontecimento em Contagem e Betim , pelo modo como exibem os créditos, aparentam ter sido montadas com imagens da equipe do portal. Mas pela diversidade de fotógrafos e qualidade um tanto amadora de muitas fotos, tenho a nítida impressão que arquivos de usuários estão misturados aí.

sábado, agosto 23, 2008

Incidente na Fale/UFMG: jornalismo tradicional X colaborativo

O fato: por volta das 20h do dia 20 de agosto, um estudante entrou na Faculdade de Letras da UFMG e pediu para conversar a sós com uma professora do curso de extensão e aluna de mestrado, pela qual estaria apaixonado. Disparou dois tiros supostamente contra a professora e um contra a própria cabeça. Foi levado em estado gravíssimo para o hospital, onde faleceu.

A cobertura: poucas informações foram publicadas nos portais sediados em BH na noite do incidente. No portal UAI, uma nota muito simples publicada no fim da noite de quinta foi a matéria principal pelo menos até as 12h do dia seguinte (veja a reprodução em outro site, já que foi impossível localizá-la no site original).

O grande destaque do portal nas primeiras horas foi um relato publicado no projeto colaborativo Eu Não Tenho Nome, pela estudante de Letras de UFMG (e jornalismo na PUC-MG) Flávia Denise. A aluna (que mantém um interessante blog sobre livros) nos explicou o processo de apuração e redação da sua contribuição cidadã para o site, num relato que, acredito, é revelador das práticas colaborativos nos portais brasileiros.

Editei minimamente o e-mail gentilmente enviado por ela e, após, aponto algumas questões que me chamaram a atenção.
Eu estava na aula na FALE (Faculdade de Letras) quando desci para o intervalo com um amigo, que dá aula de alemão pelo Cenex, quando vi que tinha carros de polícia e ambulância na frente do prédio. Nós fomos descobrir o que tinha acontecido e perguntamos para o porteiro, que estava muito abalado e só soube dizer que eu ex-aluno tinha tentado suicídio.

Isso apenas nos deixou mais curiosos.. Ele brincou que como estudante de jornalismo eu deveria tentar descobrir tudo e fomos até o carro da polícia ver se alguém falava conosco. No caminho ele encontrou outra amiga, também professora pelo cenex, que estava em prantos. Perguntamos o que tinha acontecido e ele contou que estava dentro da sala quando tudo aconteceu. Conversamos com ela e quando ela foi embora, esse meu amigo disse que ele tem um escaninho na sala do cenex e perguntou se eu queria tentar entrar e ver o que tinha acontecido. Eu topei e nós fomos.

Chegando no quarto andar conversamos com os políciais e ficamos sabendo que nem mesmo os estagiário que tinham deixado até mesmo suas carteiras nos escaninhos não poderiam pegá-las. Eles haviam isolado parte do corredor e perto do cordão de isolamento havia um grupo de estagiário do cenex conversando sobre a Polyana, o João e tudo que tinha acontecido. Meu amigo já tinha me contado que João persegui a a moça, mas com eles eu consegui uma comprovação. Todos contavam casos de momentos em que a perseguição de João havia passado dos limites. Até esse momento não pensava em escrever nada sobre o ocorrido, sou estudante e não posso escrever para nenhum veículo, só pensei nisso depois, quando tudo acabou.

Um desses estagiários estava dando aula na sala ao lado e contou sobre o que ouviu. Ele acabou entrando na minha materinha. Quando eu percebi que nenhuma informação diferente iria sair dali, tirei algumas fotos com meu celular e fui para casa.

Quando cheguei em casa liguei para o meu namorado que é jornalista do eu não tenho nome. Ele está trabalhando a noite para cobrir as olimpíadas essas semanas então estava lá na redação. Contei o que aconteceu e falei que eu ia escrever algo sobre isso e postar no site. Ele concordou e disse que era uma boa ideia. Nesse momento o uai já tinha uma pequena nota sobre o ocorrido, mas estava superficial, cheia de informações erradas.. Escrevi e postei a matéria e o João colocou um link dela na página da matéria oficial. O que escrevi não foi editado, mas quando saiu o nome completo dos envolvidos eu pedi que o João Renato colocasse na minha matéria. Outra mudança foi que eu coloquei que o atirador era paraplégico logo no começo da matéria, ele sugeriu que entrasse depois. Eu mesma fiz essa mudança.


Algumas questões
: o que mais me chamou a atenção foi a pequena (ou nenhuma) interação entre o texto produzido pela colaboradora e pela redação do portal. Durante horas os dois textos permaneceram linkados, mas as informações apuradas pela estudante não foram acrescidas ao material da redação.


Uma contradição inclusive confundia os leitores: a mulher atacada era professora ou aluna? Era aluna e professora, descobri agora no relato da Flávia.

Falta de confirmação dos dados não pode ser uma desculpa, já que, repito, os textos estavam linkados (o link, sabemos, a maior prova de reputação da web).

O jornalismo tradicional e colaborativo devem ser pensados de forma complementar, não?

E outros portais locais, como cobriram o fato? O portal d'O Tempo manteve durante horas uma nota tão incompleta que, como afirmou o Bernardo, é digna de registro em aulas de JOL.

O Hoje em Dia, de site novo, nada noticiou.

quarta-feira, julho 23, 2008

Jornais são cada vez mais locais, diz pesquisa

Após entrevistar 259 executivos de jornais norte-americanos de diferentes portes, pesquisa recém-lançada do Pew Research Center caracteriza assim os jornais de 2008:

- têm menos páginas do que há três anos, o estoque de papel é menor e as histórias estão mais curtas.
- Publica-se menos matérias nacionais e internacionais, há menos espaço dedicado à ciência, às artes e outros temas especializados.
- A cobertura de negócios ganhou espaço próprio no jornal.
- As palavras-cruzadas encolheram, as listas de TV e dados sobre estoque de empresas (stock tables) foram excluídos.
- Cobertura local cresceu e a reportagem investigativa continua sendo valorizada.

A tabela abaixo deixa clara a tendência do aumento de notícias de caráter comunitário e local, associada à queda de informações de agências de notícias:



Em sua análise, Marshall Kirkpatrick, do ReadWriteWeb, associa a novidade ao potencial crescimento de anunciantes locais e realização de eventos pelas publicações:
While that makes sense, we wonder whether the rise of location-aware computing devices could lead to a shift in even local advertisers and be the last nail in the coffin after Craigslist. There may be other ways for even local news to be monetized, though. How many online news organizations make their biggest money from events?
Ao relacionar com a realidade brasileira, Carlos Castillo aponta uma contradição com uma tendência também identificada na pesquisa: a diminuição das redações.
A ênfase dada ao noticiário local revela um esforço da imprensa em recuperar a confiança do leitor por meio da oferta de informações sobre sua cidade, seu bairro e sua rua. O problema é que este tipo de cobertura jornalística exige um grande número de repórteres dispersos em áreas bastante extensas, o que entra em conflito com as políticas de redução de gastos e de pessoal, adotadas por todos os veículos de comunicação, em intensidade variável.
Sobre a tendência do local, vale a leitura do post do Tiago Dória sobre projetos que unem ainda dispositivos móveis e geolocalização.

Post relacionado: Esboços sobre hiperlocalismo

quinta-feira, julho 17, 2008

Definições de jornalismo cidadão

Jay Rosen, professor da NYU, propôs uma definição para jornalismo cidadão:
“When the people formerly known as the audience employ the press tools they have in their possession to inform one another, that’s citizen journalism.”
Em português,
“Quando as pessoas anteriormente conhecidas como público usam as ferramentas de imprensa que possuem para se informarem umas às outras, isso é jornalismo do cidadão.” (Tradução de Alexandre Gamela)
O mais bacana é o desdobramento do conceito, proposto inicialmente via Twitter, por outras pessoas. Vale a pena acompanhar.

Vi a dica no Ponto Media.

quarta-feira, julho 02, 2008

Alguns trabalhos acadêmicos (recentes) de JOL

Alguns trabalhos bem bacanas realizados em cursos de jornalismo e citados pela blogosfera nos últimos dias:

- Ambulantes no Trem, TCC de cinco estudantes da Universidade Anhembi Morumbi. Via Andre Deak, que publicou um relato de um dos novos jornalistas sobre a reportagem multimídia.

- Descampado, trabalho sobre o campus da UFPE realizado na disciplina Jornalismo Investigativo, sob coordenação da profa. Adriana Santana. Via GJOL.

- Focas na Rede, TCC de três alunos de jornalismo da UFMG dispostos a elaborar uma rotina de cobertura multimídia com periodicidade semanal. Gostei tanto do produto quanto do processo (participei da banca deles na terça, dia 30).

Aproveitando o embalo, visite o post anterior com alguns trabalhos que fiz com meus alunos no semestre que está acabando. Ou já acabou.

Atualizações:

- Entre Muros da Colônia - especial multimídia produzido por alunos da USP


P.S. - Em breve, grandes novidades.