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quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Venda do "Metamorfoses Jornalísticas 2" em BH, Viçosa e região


Atualização em nov.2010 - em BH, livro à venda nas livrarias
Atualização em out.2011 - venda diretamente pelo site da Edunisc.

Na correria do fim de 2009, acabei deixando de divulgar por aqui o lançamento do livro "Metamorfoses Jornalísticas 2- a reconfiguração da forma" (ed. Edunisc), organizado pelo Demétrio Soster e pelo Fernando Firmino.

No meio de um monte de feras, está lá um texto meu: COLABORAÇÃO, EDIÇÃO, TRANSPARÊNCIA: desafios e possibilidades de uma “wikificação” do jornalismo.

Temos agora um novo gancho para divulgar a obra: como a distribuição é mais restrita, peguei 15 exemplares direto com a editora e deixei pessoalmente em algumas livrarias da Savassi, em BH.

Ainda estou com alguns livros para vender diretamente para os interessados em Viçosa, BH e região. É só me contactar.

Sobre o livro

Antes do release e do sumário, um depoimento como "leitor": posso garantir que é uma coletânea muito instigante, tanto para profissionais quanto para estudiosos de qualquer área do jornalismo. Mais do que um suporte ou um referência teórico, o que une os textos é desafio de refletir sobre a transformação midiática enquanto ela acontece, levando a sério um conceito ousado como o de Metamorfoses Jornalísticas.

"O jornalismo já não é mais o mesmo. Questões tecnológicas, sociais e legais vêm modificando o campo em ritmo acelerado." É assim que começa o prefácio do professor-doutor da PPGCOM/UFRGS, Alex Primo, para o livro Metamorfoses Jornalísticas 2: a reconfiguração da forma (Edunisc, 2009), organizado pelos professores Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva e que será lançado em Porto Alegre (14/11), durante a 55ª Feira do Livro, e em São Paulo (26/11) durante o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo - SBPJor. A capa foi elaborada pelo designer Rudinei Kopp, autor de Design Gráfico Cambiante.
O livro trata-se de uma obra indispensável para professores, estudantes, pesquisadores e profissionais para pensar as transformações pela qual o campo do jornalismo passa nos seus aspectos de produção, distribuição e recepção de conteúdo com os processos de digitalização, convergência e de multiplicação de plataformas midiáticas. Catorze autores, especializados em suas respectivas áreas, lançam olhares e questões sobre os fenômenos emergentes em torno do jornalismo contemporâneo com a crescente complexificação de seus processos. Infografia, midiatização, jornalismo móvel, blogs, Wikipédia, radiojornalismo, telejornalismo, redes sociais, gêneros, fotojornalismo e documentários são alguns dos temas tratados nesta edição.
O livro é o segundo volume da série Metamorfoses Jornalísticas. O primeiro tratou das "formas, processos e sistemas", enquanto que o segundo analisa as "reconfigurações da forma" do fazer jornalístico. Ambos volumes se inserem em um contexto mais amplo, do qual fazem parte ainda dois outros livros – Edição em jornalismo: ensino, teoria e prática (Edunisc, 2006) e Edição de imagens em jornalismo (Edunisc, 2008), cujo objetivo tem sido observar as complexificações que se estabelecem no jornalismo a partir do momento em que ele se vê imerso em um cenário altamente tecnologizado, tendo a internet como ponto de referência sócio-histórico.
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O SUMÁRIO:

PREFÁCIO
Alex Primo

APRESENTAÇÃO
O SEGUNDO PASSO
Demétrio de Azeredo Soster, Fernando Firmino da Silva

COMO O DISPOSITIVO PREPARA PARA O GÊNERO JORNALÍSTICO?
Lia Seixas

REDES SOCIAIS NA INTERNET, DIFUSÃO DE INFORMAÇÃO E JORNALISMO: elementos para discussão
Raquel Recuero

OS BLOGS E OUTRAS NARRATIVAS DO CIBERESPAÇO
Cláudio Cardoso de Paiva

COLABORAÇÃO, EDIÇÃO, TRANSPARÊNCIA: desafios e possibilidades de uma “wikificação” do jornalismo
Carlos d’Andréa

REPORTAGEM COM CELULAR: A visibilidade do jornalismo móvel
Fernando Firmino da Silva

SOBRE ZH: Zero Hora Responde
Antonio Fausto Neto

MODELO PARA ANÁLISE DO JORNALISMO MIDIATIZADO
Demétrio de Azeredo Soster

ESPAÇO CRÍTICO NO JORNALISMO: para além da indústria, do intelectual e do consumo polêmico
Jairo Ferreira

DO ANALÓGICO AO DIGITAL: notas sobre o telejornal em transição
Fabiana Piccinin

A TRAVESSIA DO ANALÓGICO PARA O DIGITAL NA TV CABO BRANCO – PARAÍBA
Águeda Miranda Cabral

BASES DE DADOS E INFOGRAFIA INTERATIVA: novas potencialidades, conceitos e tendências
Adriana Alves Rodrigues

VALOR NOTÍCIA X VALOR IMAGEM. FORMATOS DO FOTOJORNALISMO EM REDES DIGITAIS
José Afonso da Silva Junior

O PROCESSO DE MUTAÇÃO DA PRODUÇÃO DO
RADIOJORNALISMO

Nelia R. Del Bianco

O OLHAR DE VERTOV PARA VER HOJE
Jair Giacomini

segunda-feira, março 02, 2009

Wiki impresso (?!)

Uma característica fundante dos wikis, ao meu ver, é a natureza mutante do conteúdo lá publicado - o que implica, mais do que numa falta de confiança no sistema, na idéia que trata-se de um work in progress permanente como o desenrolar de uma sociedade conectada.

Neste sentido, me chama muito a atenção a ampliação da iniciativa da Wikimedia Foundation e da editora alemã PediaPress, que permitem a edição, a la carte, de versões impressas da Wikipedia. Além do alemão, disponível desde janeiro, é possível agora pedir livros com artigos de seis outras línguas, inclusive português. A primeira experiência do gênero foi em 2008, quando foi editado um livro com os 50 mil termos mais procurados na versão alemã.



A edição e montagem do livro é extremamente simples: o usuário logado, após selecionar os artigos, precisa organizá-los em capítulos e dar nome à publicação. Um arquivo PDF ou ODT é gerado gratuitamente, na hora, ou uma versão impressa sob demanda pode ser encomendada a custos muito razoáveis (pense na impressão de um único exemplar). Um livro de 100 páginas, por exemplo, sai por U$7,99.

Alguns comentários:

- Para Erik Moeller, em post no blog da Wikimedia Foundation, a possibilidade de um texto integrar um livro pode motivar os colaboradores a capricharem mais na apuração e formatação do conteúdo.

- O blog Telephone Issues montou um livro em inglês sobre a União Européia. Os 45 artigos totalizaram 2444 páginas, divididas em 3 volumes. Uma prova concreta da quantidade de informações da versão em inglês. A um preço, repito, razoável: U$80 €80.

- Além da dicotomia impresso-digital, acho que vale pensar em online-offline. Um PDF salvo em um disponível sem conexão pode significar uma leitura em outros ambientes. Mais uma vez, ganha a multiplicação, e não exclusão de formatos. O wiki impresso é mais uma opção e, quanto mais, melhor.

- Uma iniciativa tão interessante quanto que esta é Pediaphon, que gera arquivos .mp3 para qualquer artigo em inglês, francês ou espanhol da Wikipedia.

- Considerando que o software usado na conversão do wiki para outro formato é, evidentemente, livre, é fácil imaginarmos à migração digital-impresso sendo usada, por exemplo, para a documentação final de projetos registrados através de um wiki corporativo - algo promissor em empresas.

Mais alguns detalhes no Futuros del Libro e no Techcrunch.

quarta-feira, julho 23, 2008

Jornais são cada vez mais locais, diz pesquisa

Após entrevistar 259 executivos de jornais norte-americanos de diferentes portes, pesquisa recém-lançada do Pew Research Center caracteriza assim os jornais de 2008:

- têm menos páginas do que há três anos, o estoque de papel é menor e as histórias estão mais curtas.
- Publica-se menos matérias nacionais e internacionais, há menos espaço dedicado à ciência, às artes e outros temas especializados.
- A cobertura de negócios ganhou espaço próprio no jornal.
- As palavras-cruzadas encolheram, as listas de TV e dados sobre estoque de empresas (stock tables) foram excluídos.
- Cobertura local cresceu e a reportagem investigativa continua sendo valorizada.

A tabela abaixo deixa clara a tendência do aumento de notícias de caráter comunitário e local, associada à queda de informações de agências de notícias:



Em sua análise, Marshall Kirkpatrick, do ReadWriteWeb, associa a novidade ao potencial crescimento de anunciantes locais e realização de eventos pelas publicações:
While that makes sense, we wonder whether the rise of location-aware computing devices could lead to a shift in even local advertisers and be the last nail in the coffin after Craigslist. There may be other ways for even local news to be monetized, though. How many online news organizations make their biggest money from events?
Ao relacionar com a realidade brasileira, Carlos Castillo aponta uma contradição com uma tendência também identificada na pesquisa: a diminuição das redações.
A ênfase dada ao noticiário local revela um esforço da imprensa em recuperar a confiança do leitor por meio da oferta de informações sobre sua cidade, seu bairro e sua rua. O problema é que este tipo de cobertura jornalística exige um grande número de repórteres dispersos em áreas bastante extensas, o que entra em conflito com as políticas de redução de gastos e de pessoal, adotadas por todos os veículos de comunicação, em intensidade variável.
Sobre a tendência do local, vale a leitura do post do Tiago Dória sobre projetos que unem ainda dispositivos móveis e geolocalização.

Post relacionado: Esboços sobre hiperlocalismo

sexta-feira, maio 09, 2008

O futuro do jornalismo, por Rosental Calmon Alves

Com o entusiasmo juvenil e uma atuação performática digna de publicação no Youtube, o professor Rosental Calmon Alves ministrou a palestra (Re)Construção do jornalismo para a Era Digital durante o 3º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Durante uma hora e meia, o diretor Knight Center for Journalism in the Americas (Texas) tentou convencer uma platéia quase assustada que as perspetivas da mídia e do jornalismo são ao mesmo tempo dramáticas e promissoras.

Atônitos, os estudantes e profissionais não estão sozinhos: segundo Rosental, a postura é compartilhada por muitos proprietários das mídias tradicionais, que sabem que algo está acontecendo mas não sabem o que fazer daqui pra frente.

(Sintomaticamente, a palestra correu em um auditório off-line. Pensando bem, pouca diferença fez para a grande maioria - para se ter uma idéia, só meia dúzia dos presentes, incluindo o próprio palestrante, conhecia o Twitter).

Alguns pontos destacados:

- Mais do que uma revolução tecnológica, a internet traz uma ruptura histórica comparável a dois momentos: revolução do tipo móvel e Revolução Industrial.

Vivemos um intenso processo de remediação do complexo de mídias. Usando conceitos de Roger Fidler, argumenta que não estamos presenciando uma midiamorfose, que foi o processo de adaptação das mídias de massa na era industrial, mas um midiacídio, ou morte de um sistema midiático, que dá lugar a outro. Basta lembra que o Google é empresa de mídia, e cada vez mais importante.

- Ruptura do modelo emissor/receptor ainda causa pânico nas redações. Sem especificar qual, citou uma publicação onde os jornalistas estão em "estado de rebelião" porque o site agora aceita comentários dos leitores. E mais: "NYT morre de medo dos comentários".

A imprensa é apenas um dos elementos do complexo de midias cotidiano do público. Dividem espaço, entre outros, com as mídias sociais, onde os indivíduos conectados tomam o poder da midia. A "pessoa em rede", no melhor estilo "broadcast yourself", cativa e fideliza suas microaudiências. A comunicação midia-centrica torna-se "eu-centrica", com controle total sobre a produção, edição, acesso, distribuição de conteúdos.

Notícia era o fim, hoje é o começo de uma discussão em que o jornalista deve preservar a posição de editor ou mediador do debate. Neste sentido, uma investigação jornalística pode ser aberta, através da publicação de um resultado parcial sobre uma fraude, por exemplo, solicitando ao público complementos àquela informação inicial.

- Jornalismo é conservador e hierarquizado. Talvez por isso, vive um cenário mais que preocupante. Nos EUA, houve a eliminação de 3.600 vagas de jornalistas nos EUA na última década, configurando a pior crise da história da imprensa.

O modelo traçado é de desconstrução de seu modelo industrial para novas estruturas adequadas à era digital, com eixo principal na internet (Web first!).

Praticamente todas as redações dos EUA adotaram operações híbridas: digital + papel. Mais do fusão, exige-se uma alteração conceitual no modelo de operação. Como o modelo da
Gannett: redação deixa de ser newsroom e torna-se information center.

Dois exemplos:

Atlanta Journal Constitution alterou a estrutura da redação de 12 para 4 seções: noticias e informações (dia-a-dia), enterprise news (reportagens especiais), edição impressa (editores, diagramadores etc) e digital/Web.

El Tiempo (Colômbia) implementou dois departamentos: um que busca notícias e outra que as publica.

Para mais sobre o tema, vale uma leitura do artigo Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua, publicado em 2006 na revista Comunicação e Sociedade.