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domingo, janeiro 04, 2009

Morto ou não? Boatos na Wikipedia, twitter e jornalismo

2008 terminou com mais uma mini-polêmica em torno da Wikipédia: no dia 28 de dezembro a versão em inglês foi atualizada com a informação da morte do ator Paul Reiser. Pouco conhecido noBrasil (sua atuação mais marcante foi na série Mad About You, nos anos 90), Reiser teria morrido no Rio Squallahasse, onde praticava “fly fishing”.

Fiz pesquisas sobre a publicação (e apagamento) da informação na Wikipédia, a discussão em sobre a veracidade ou não no Twitter e a repercussão em sites noticiosos. Valem alguns comentários:

- A primeira informação na Wikipédia sobre a suposta morte foi a inclusão da data de falecimento (12/27/2008) no infobox do artigo sobre Paul Raiser. A data foi retirada dois minutos depois; em quatro minutos acrescentaram-se informações sobre o acidente fatal e, em menos de um minuto, a frase foi retirada.

Sucede-se então uma guerra com mais de trinta edições entre 27 de dezembro e 02 de janeiro, quase sempre com usuários não cadastrados (identificados pelos IPs 206.53.144.121 e 68.40.80.155, entre outros) acrescentando dados da morte para, em seguida, serem desmentidos por outros, cadastrados ou não.

Entre mudanças do tipo “was an actor” e “is an actor”, destacaram-se dois comentários, no meio do artigo, defendendo a sobrevivência do autor: “paul reiser is alive!!!” e “I spoke to Paul Reiser today and he say he's not dead yet (…)”. Foram devidamente apagados nas edições seguintes.

Surpreende aqui que nenhum administrador tenha restriguido a edição dos artigos, por exemplo impedindo a edição por usuários não-cadastrados.

- Aparentemente o primeiro noticioso online a reportar a “barriga” foi o site de entretenimento EOnline, com a nota Paul Reiser Rises From Wikipedia Death, publicada no dia 31/12 e pouco depois reproduzida no Yahoo! News.

O tom, como sempre, é ironia e questionamento à confiabilidade da enciclopédia wiki. Sequer há resultados no Google para "Squallahassee River", criticou a matéria da EOnline e do Huffington Post. Mais um rumor da "gossipsphere" (algo como fofocosfera), disse um repórter do Post Chronicle, para em seguir decretar, em negrito: Wikipedia is not a credible source people.

Também chama a atenção do desconhecimento de como um wiki e a Wikipédia operam. Segundo o texto da EOnline,
It's unclear exactly when the entry was tinkered with or how long it had been up, but less than two hours after it made for blogosphere fodder, the offending passage, along with the actor's supposed date of death, was removed.
Isto é, o repórter desconhece o recurso Histórico da ferramenta wiki, que vem a ser um dos grandes mecanismos de transparência (e, por que não, segurança) para sites tão abertos quanto a Wikipédia.

- Antes do canal do Eonline no Twitter replicar a nota publicada no site, a informação já circulava na twitosfera (que talvez tenha sido a fonte para a nota jornalística, já as reversões na Wikipédia em geral não tardaram).

Aparentemente o usuário snakeproof foi o primeiro a disseminar a informação no Twitter. Coincidência ou não, seus updates estão protegidos, mas há ocorrência de respostas a um tweet seu. Sidebeer escreveu no dia 27/12, "dia da morte" de Paul Reiser:
@snakeproof I'm almost certain Paul reise r is alive.

Pouco depois, BenMarvin anunciou ter editado o artigo na Wikipédia:

@snakeproof I just edited Paul Reiser's Wikipedia article to let the worl d know he's dead

O comportamento deste usuário mostra a força que um boato pode ganhar através das redes sociais, não importando a falta de informações concretas para confirmá-lo. Já no dia 31, alheio às informações ao contrário, escreveu:
Absolutely nothing around me indicates that Paul Reiser is still alive. I will continue to edit Wikipedia.
Como assim nada indica que o ator está vivo?

Havia alguma prova de que estaria morto??

2009 promete muitas guerras de informação...

Post relacionado: Sobre abarriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

terça-feira, dezembro 09, 2008

Erros e acertos da agregação de conteúdo pela BBC

Lembra da discussão sobre agregação de conteúdo e jornalismo que propus aqui na semana passada?

Se gostou, recomendo (muito) a leitura do artigo Mumbai, Twitter and live update, do editor do site da BBC, Steve Herrmann.

Ele faz uma análise da cobertura em tempo real proposta pelo veículo, destacando os acertos e os erros do processo de incorporação de conteúdo gerados pelos usuários sob a chancela da BBC.

No cerne da questão, a apuração jornalística.

Não deixe de ler, inclusive pelo exemplo de humildade que um editor deveria sempre ter.

Outro post relacionado: Sobre a barriga do IReport: quem, afinal, vai fazer jornalismo?

terça-feira, dezembro 02, 2008

Entre o jornalismo e a agregação de conteúdo

Qual a diferença entre as práticas jornalísticas e as interfaces de agregação de conteúdo (no modelo live streaming, por exemplo)?

Até que ponto a incorporação de ferramentas como o Cover it Live (ou mesmo a transmissão experimental do Roda Viva) podem esvaziar um discurso e projetos jornalísticos marcados por escolhas editoriais e pelo trabalho criterioso de edição de um profissional (ou não!) da área?

Provocado por alguns alunos céticos ou entusiastas demais, e também após um improvisado debate após a apresentação da Gabriela Zago na ABCiber, venho pensando nesta questão há algum tempo.

Uma boa situação de análise: a intensa publicação de conteúdos por usuários comuns nos momentos mais críticos da tragédia em Sta Catarina e dos atentados terrorista em Mumbai, na India.

O Tiago Doria registrou o AllesBlau (blog com notícias de Blumenau), Mahalo (página especial sobre os ataques na India) e o liveblogging de estudantes holandeses como exemplos de hubs de informação e curadoria de conteúdo (grifos dele).

Como registrei nos comentários lá, não sou contra a iniciativa de agregação de conteúdos externos e/ou colaborativos, em sites jornalísticos inclusive, mas acho que a mediação clássica do jornalista (o que é ou não notícia para um determinado veículo, por exemplo) não pode ser abafada por fluxos contínuos de informação. Mais do que credibilidade, me refiro a escolhas que um veículo TEM que fazer, principalmente numa era de excessos informacionais como a atual.

Segundo Doria, Ariel Gajardo, um dos criadores do AllesBlau, disse que no blog “não existem amarras editoriais”. A palavra amarras nos remete a censura, ocultamento etc. Se for assim, ok.

Mas entendi a palavra como um sinônimo de filtro, isto é, o blog não teria filtros editoriais. Isso pode ser um mérito, ou uma necessidade, para um veículo surgido numa situação de exceção com a de Sta Catarina, mas é um suicídio editorial em tempos normais.

O que diferencia um veículo e cativa o público é justamente seu filtro editorial, não?

Fazem coro a esta argumentação dois textos publicados recentemente: em Jornalismo é mais do 140 caracteres, Luis Weis, ao reividindicar o papel a ser cumprido pela mídia impressa nestas situações, a contrapõe aos microblogs e ferramentas afins:
Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.
Em entrevista ao site Hipercritico.com (e linkada pelo GJOL), Rosenthal Calmon Alves disse uma frase que sintetiza esta discussão (em negrito):
yo soy muy optimista en relación a la importancia que el periodismo va a tener en el futuro, porque cuando todo el mundo habla, nadie habla. La voz del periodista profesional, al lado de la voz del periodista no profesional, va a tener una importancia central que va a iluminar el camino de la información.

Quer mais? Dê uma olhada nos comentários da instigante pergunta do blog TwiTip: Twitizen Journalism: Can Twitter Be a Real News Platform?

Meio off-topic: Registrei no Twitter, mas vale citar de novo a iniciativa do jornal Diário do Litoral que, impedido de circular por causa das enchentes, criou logo um blog e um canal no Twitter e manteve-se na ativa. E sem perder o bom humor, uma característica do Diarinho, dizem os leitores habituais. Não foi nenhuma iniciativa inédita, sabemos, mas louvável.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Twitter em sala de aula

A dica veio do Twitter do Tiago Dória:

David Parry, professor da Universidade do Texas, criou uma conta do serviço de microblogging direcionada aos seus alunos, que para segui-lo tiveram que criar suas contas pessoais. Entre relatos cotidianos e dicas de leitura afins à disciplina, os alunos adquiriram um grande senso de comunidade, segundo relato do professor. Outras vantagens estão listadas no post Twitter for Academia, entre as quais destaco

desenvolvimento uma percepção ampliada do mundo ao seguir a diversidade de temas publicados pelas pessoas (conectadas, é sempre bom ressaltar) através da relação de microposts públicos;

acompanhamento da cobertura de um evento, da discussão em torno de um assunto ou das opiniões de um especialista sobre os temas de interesse;

redação de textos limitada a 140 caracteres, ótimo exercício para praticar a concisão jornalística e uso da pontuação, entre outros aspectos gramaticais.

Dei uma googlada mas não encontrei nenhum relato de experiências semelhante aqui no Brasil.

Conhece alguma?

P.S. - Nos comentários da matéria A Professor's Tips for Using Twitter in the Classroom, "Nancy" pergunta como seria possível um aluno que cursa 5 disciplinas, cada uma com 50 alunos, usar ativamente o Twitter. Acrescento: e o professor que ministra aulas para 5 turmas de 50 alunos cada?

Para mais:
-Twitter Tweets for Higher Education (que indica outros posts e artigos)
-Você realmente precisa do Twitter para dar uma aula?
-Nanoblogs, Twitter e Jaiku: a nova fase da blogosfera

sexta-feira, setembro 21, 2007

20 Palavras: quando menos é mais

Em tempos de pressa e microblogging, uma iniciativa interessante vem da Argentina: notícias de curtas compõem o 20 Palavras, atualizado por dispositivos móveis (dica do Coluna Extra).

Curioso: o excesso foi tema de uma citação garimpada por Manoel Pinto e pauta as leis da simplicidade (traduzidas pelo Intermezzo).

(Já estourei minhas 20 palavras. E estou atrasado...)