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sexta-feira, fevereiro 17, 2012

GT Produção de Texto e Edição

"Ensino de produção de texto em Língua Portuguesa: tecnologias e processos de edição" é o nome do GT que eu e a Ana Elisa Ribeiro (Cefet/MG) coordenaremos no II Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa. 

Como bem resumiu a Ana, "Nosso grupo pretende reunir pessoas que trabalhem especialmente o ensino de escrita, o uso de tecnologias para isso, a produção de textos em LP, etc" (veja abaixo a ementa do GT).

Os resumos de 200 a 400 palavras devem ser submetidos até o dia 18 de março através deste formulário.

O evento será na Universidade Federal de Uberlândia entre os dias 30 de maio e 1 de junho de 2012.

Dentre a (enorme) relação de GTs, destaco ainda o grupo sobre "Letramento Digital", que será coordenado pela Carla Coscarelli (minha orientadora de doutorado) e Andréa Lourdes Ribeiro.


Resumo: Neste trabalho, baseando-nos na eterna questão sobre processo e produto na produção escrita, propomos uma discussão sobre o ensino de produção de texto em língua portuguesa. Nosso objetivo é conhecer experiências de ensino de produção textual, em qualquer nível ou modalidade de ensino (presencial, virtual, formal, informal, etc.), que empregue tecnologias (digitais ou não) e/ou processos nelas implicados. São também aceitas discussões de caráter teórico ou analítico, sem preferência por esta ou aquela afiliação teórica, desde que contemplem a análise de exemplos ou a sugestão de atividade, de alguma forma. Resultados de pesquisa acadêmica em produção de textos são bem-vindas. Considerando que, já há vários anos, novas tecnologias afetaram a produção de textos, inclusive na escola (e para a escola), trataremos do emprego de novas tecnologias (especialmente as digitais) para ensino de produção textual (na escola formal ou fora dela) e da maneira como tais tecnologias afetaram os processos de edição do texto, isto é, sua criação e sua revisão, passando também por projetos enunciativos que propõem novas formas de pesquisa, de citação, de construção do texto (como o hipertexto ou a hipermídia), suas relações com outras semioses (multimodalidade) e sua relação com o design e a formatação. Embora nosso foco seja um novo processo de edição de textos, com ferramentas tecnológicas, e as questões de ensino/aprendizagem ligadas a isso, esta proposta de discussão abrange quaisquer trabalhos relacionados ao ensino de produção de texto e ao próprio processo de redação/criação, em escopos como a história desses processos, a educação, a comunicação, entre outros.



Palavras-chave: Produção de Texto; Ensino de Português; Redação; Edição; Novas Tecnologias.

sexta-feira, abril 29, 2011

GD Escrita colaborativa e produção distribuída no Hipertexto 2011

Aos poucos vai ganhando corpo a quarta edição do Encontro Nacional sobre Hipertexto, que em 2011 acontece na Uniso - Universidade de Sorocaba (SP) nos dias 26 e 27 de setembro.

Neste fim de abril foram divulgados os 29 (!) grupos de discussão aprovados (acesse o .PDF).

Um destes grupos é uma proposição da Ana Elisa Ribeiro e minha: Escrita colaborativa e produção distribuída. Veja abaixo a ementa e, tendo dúvidas, entre em contato.

Os resumos de até 200 palavras devem ser enviados até 10 de julho através do site do evento. Vale ressaltar, no entanto, que as inscrições são mais baratas até 30 de maio.

Já os artigos completos podem ser submetidos até 26/09, véspera do encontro (veja orientações técnicas sobre o resumo e o artigo completo).

Encontramos em Sorocaba então!

GD Escrita colaborativa e produção distribuída

Neste grupo, pretende-se discutir aspectos teóricos, metodológicos e práticos da produção colaborativa de textos, entendidos estes como prática social. Estão em pauta as produções colaborativas on ou off-line, mas especialmente as que se apropriam de espaços de produção digitais, empregando ambientes ou softwares de produção distribuída. Não apenas a escrita (verbal) está em foco, mas a criação colaborativa multimodal, em todas as suas modulações, em âmbitos como a produção escolar, jornalística, publicitária, literária, fanfics, entre outras. Os ambientes de produção distribuída podem ser os espaços físicos, mas também wikis, blogs, microblogs, editores de texto e outras possibilidades existentes. São especialmente bem-vindos relatos de experiência e/ou pesquisas empíricas.

terça-feira, agosto 25, 2009

Revisões assinaladas: uma nova Wikipédia?

A mudança vinha sendo discutida desde o ano passado (ver post Wikipedia = Britannica? Ainda não) e, nesta segunda, 24/08, o NYT confirmou:

a versão em inglês da Wikipédia vai a adotar o recurso "Revisões assinaladas", ou "Validação de páginas" (em inglês, flagged revisions). Com esta mudança, a edição de alguns artigos ( no caso, como as Biografias de Pessoas Vivas, ou articles about living people) passará pela aprovação de algum usuário mais experiente antes de ser publicada.

Atualização em 26/08 - segundo blog da Wikimedia, a novidade vai se estender a todos os artigos cuja edição tem alguma restrição, e tende a substituir a proteção contra edições de usuários não registrados e novatos.

Em suma, isso significa um duro impacto sobre o modelo aberto e sem moderação prévia que sempre caracterizou as Wikipedias. Ao mesmo tempo, é uma medida prudente e que dá a dimensão da relevância e visibilidade alcançadas pelo projeto atualmente.

A matéria de Noam Cohen (praticamente um setorista do NYT para a Wikipedia) cita vários exemplos de vandalismos recentes e afirma que não há critérios já definidos para escolha dos novos editores - e, por consequência, dos que passarão a ser apenas redatores. Na experiência feita na versão em alemão, cerca de 7500 usuários foram habilitados para a função.

Atualização em 26/08 - Post do ReadWriteWeb faz uma importante distinção entre:
- "flagged protections", que permitem que um artigo seja editado por qualquer usuário, mas a alteração só será exibida na versão principal do artigo após aprovação por um editor designado, e
- "patrolled revisions", que é a inserção de marcação em uma versão do artigo, confirmando sua revisão por um editor designado, sem que isso interfira no artigo a ser lido pelo usuário comum. Trata-se de uma espécie de "ponto de restauração" que facilita o monitoramento das edições.

O fato é que, se antes a hierarquização do site era marcada principalmente pelas prerrogativas técnicas atribuídas aos administradores, ficará oficializada agora a divisão de classes na Wikipédia: de um lado os mais experientes e ativos, do outro, o resto. Este é mais um passo de um fenômeno já identificado por pesquisadores e editores: um acirramento das diferenças entre os editores mais ativos e uma maioria que colabora eventualmente, com clara vantagem para o primeiro grupo. Ver, por exemplo, pesquisa inicial recentemente divulgada pelo grupo de pesquisa Augmented Social Cognition, que, entre outras conclusões, identificou que a chance de manutenção de uma edição realizada por um usuário é proporcional ao seu volume de participação.

Vale lembrar que a medida vale apenas para um conjunto de artigo da Wikipedia em inglês e, segundo Jimmy Wales, é ainda "um teste".

As repercussões (sempre em inglês) não tardaram:

Andrew Keen, autor do famigerado livro "Culto ao Amador", se empolgou no Twitter com a novidade, e tiro sarro com @jimmy_wales: "Now I can take you serious".

O Mashable, um dos mais respeitados blogs sobre mídias sociais, foi épico em sua análise: "a new chapter in the Wikipedia information age and the end of an old one"

No OnlineJournalism Blog, Paul Bradshaw afirma que esta é uma decisão óbvia (no-brainer), mas levanta algumas questões relevantes sobre os possíveis impactos sobre a comunidade de editores:
if a new contributor doesn’t see their edit go live immediately, how does that affect their involvement? How does creating a 2-tier system affect the community? Why not instead try adding a disclaimer to the top of all biographies urging caution because “this is about a person”?
Sem me alongar muito, adianto um trecho da conclusão de um artigo meu sobre a colaboração e mediação na Wikipedia e Britannica (será publicado ainda este ano pela revista Em Questão, da UFRGS)

A eventual criação de novas “camadas” de mediação na Wikipédia (as Revisões Assinaladas, por exemplo) parece-nos um indício do esforço da comunidade de editores para equilibrar controle e abertura. Ao mesmo tempo em que se mantém um modelo baseado numa meritocracia auto-regulada, verifica-se uma tendência de valorização dos usuários mais engajados, em detrimento de colaboradores novatos ou eventuais. Esta tensão fica evidente na possibilidade de duas versões de um artigo serem disponibilizadas para o público: uma mais recente, mas passível de erros, e outra checada pelos editores.

Uma ampliação e um maior rigor na vigilância de usuários menos familiarizados com os “Operadores de Normatização” que regem o site podem acarretar no afastamento de um volume numeroso de colaboradores eventuais. Estes representam, ao menos na versão em inglês, uma parte significativa do volume de informações publicadas – 50% das edições realizadas em 2007 foram feitas por wikipedistas com até 100 contribuições em seu histórico (KITTUR, 2007b, p.5) – e, conceitualmente, representam o “espírito wiki” que motivou o projeto.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Wikipedia = Britannica? Ainda não.

Duas notícias compĺementares repercutiram bastante esta semana: enquanto a enciclopédia Britannica abre-se para a participação do público, a Wikipedia estaria prester a aprovar um novo mecanismo de restrição à ampla colaboração.

Especulações e exageros à parte, apurei algumas informações e proponho uma análise.

As mudanças da Britannica vieram à tona após uma matéria do jornal australiano Sydney Morning Herald, que entrevistou o presidente instituição, Jorge Cauz. Ele deixa claro uma "cruzada" da secular instituição contra a Wikipedia, o que inclui melhorar posicionamento das entradas no Google.

O ponto chave, no entanto, já estava delineado há alguns meses, no post Collaboration and the Voices of Experts, publicado em junho de 2008: a Britannica pretende, ao seu modo, dar mais espaço para novos editores, que chamam de “community of scholars”.

O modelo conceitual deixa claro o papel dos especialistas, que precisam comprovar dados pessoais e certamente devem ter um alto grau de especialização na área (ao contrário da Wikipédia, cuja meritocracia baseia-se no engajamento). Estes novos editores aparentemente terão grande poder de decisão e suas publicações estarão vinculadas aos logins (uma forma de explicitar a autoria).

A mediação rígida deve ao simplificado mecanismo para sugestão de modificações nos verbetes. O recurso Suggest Edit associado às entradas é muito parecido com a ferramenta wiki, aceita submissões sem cadastro prévio e pede apenas o aceite dos Termos de Uso.

Espera-se que atualização de uma informação checada pela equipe da enciclopédia ou por "editores freelance" ocorra em até 20 minutos. As novidades podem ser incorporadas na versão impressa, editada a cada 2 anos.

Atacando o "modismo" da "sabedoria das multidões" e chamando para si a responsabilidade pelo material publicado, a Britannica deixa clara sua adequação à web 2.0:
"we believe that the creation and documentation of knowledge is a collaborative process but not a democratic one"

Já na Wikipédia, a alardeada limitação da colaboração ampla e irrestrita que move o projeto resume-se, no fim das contas, à possibilidade de implementação da extensão "FlaggedRevs" no MediaWiki, software em que se baseia o site.

Este recurso tem inúmeras configurações possíveis, pode ser ativado caso a caso e seria uma alternativa à proteção imposta com frequência em alguns artigos mais visados por vândalos ou guerras de edições. Ao invés do travamento total das edições, seria permitida a edição, mas sua publicação dependeria de uma autorização posterior pelos administradores do site.

O assunto está em discussão desde o ano passado e foi retomado após um apelo de Jimmy Wales na sua página pessoal, motivado especialmente por episódios de "morte antecipada" de personalidades (forma clássica de vandalismo na Wikipédia). O índice de aprovação da proposta (60%) indica baixa aceitação da comunidade de usuários e o tema continua em discussão.

As Flagged editions (termo traduzido como Revisões Assinaladas) foram implementadas de forma experimental em todos os artigos da versão em alemão. De cara, um grande problema: a aprovação do conteúdo chegou a registrar uma demora de 3 semanas. Se implementada em larga escala, tornaria inviável a aprovação das mais de 150 mil edições diárias, como levantou o post do ReadWriteWeb.

Poderia ainda impactar diretamente uma apropriação típica da Wikipédia, a redação "em tempo real" de artigos sobre acontecimentos recentes. É uma faca de dois gumes: ao menos tempo em que impediria uma atualização em "fluxo contínuo", evitaria uma proteção mais restritiva no calor dos eventos, como o próprio Wales registrou em seu apelo (situação que ocorreu, por exemplo, na edição do artigo sobre Vôo TAM 3054, como algumas vezes citei aqui).

Parece-me que estamos diante de um processo de amadurecimento e complexificação da política de edição gerida no site, e não de uma simples guinada da Wikipedia para um modelo mais fechado ou de uma mudança na sua política editorial.

Avalio ainda como uma intensificação de uma tendência repleta de tensões: dar um maior poder aos administradores em prol da manutenção da idéia original de que todos podem editar.

Pesquisador Ed H. Chi, do Palo Alto Research Center, levanta uma questão fundamental no post
Governing and authorship models at Wikipedia and Britannica:
So now the research question is whether you want to design your editing policy to favor the upper class (top editors and administrators), the middle class (the 5000-6000 editors who contribute the middle 50% of all edits), or the lower class (the 15000 editors who contribute the last 25%).
Quer dizer, a questão é quem deve ser privilegiado na "política de edições": os usuários mais ativos, a "classe média" ou os eventuais colaboradores? Chi acredita que independente das "revisões assinaladas", a participação dos usuários eventuais está cada vez mais limitada:
So, even without the "flagged revision" mechanism such as the ones suggested by Jimmy Wales, it has already been getting harder for the lowest class of occasional editors to produce edits that remain as contribution in Wikipedia.
Comparando os dois processos em cursos, não consigo imaginar, a médio prazo, uma efetiva aproximação entre a Britannica e a Wikipédia, principalmente pelas filosofias editoriais claramente distintas. Em ambas colaboração e mediação andam juntas, mas de formas distintas.

Posts relacionados:

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Morto ou não? Boatos na Wikipédia, twitter e jornalismo

Knol e a colaboração moderada

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fim do editor? (ou do diagramador???)

Estou aqui intrigado, estarrecido até a partir do post Nova rotina de produção jornalística pode acabar com a função de Editor, publicado no blog do GJOL.

Segundo o relato de Marcos Palacios (o link original está quebrado), a rede de jornais Express vai implementar uma rotina de automatização no fechamento dos jornais impressos (diagramação por templates, por exemplo) que implicará na demissão de 80 editores do Daily Express e Sunday Express, entre outras publicações britânicas.

Atualização em 03/10 - a matéria do Guardian está aqui - obrigado, Thiago. Vale então uma tradução do trecho do documento "Mudando a maneira de trabalhar", direcionado aos jornalistas do grupo:
Estamos propondo uma pulicação direta das matérias no sistema pelos repórteres. As páginas seriam concebidas pelo backbench(?) e desenhada pelos designers, como hoje. Os reporteres teriam uma "fôrma" para os textos, com as fontes e estilos pré-definidos, e encaixariam o material neste modelo.

Finalizado, os repórteres e redatores checariam o formato usado, o texto seria editado pelo pelo "newsdesk" e uma equipe de revisores/editores escreveriam as manchetes e fariam as mudanças necessárias. Os advogados do turno da noite (!) checariam as histórias, como já fazem hoje.
Agora está parecendo que estão esvaziando mesmo é a função do diagramador!)

Bem, se esta for uma tendência, só posso dizer que não estou entendendo mais nada.

Se há algo que venho defendendo nos últimos anos, é que a função de editor ganhará fôlego na era da produção jornalística abundante (e mesmo redundante, via agência de notícias) e/ou colaborativa (edição compartilhada, em alguns casos).

Mesmo se for um programador de algoritmos editoriais (conceito que pretendo desenvolver em breve), como no Digg ou Overmundo, o jornalista continua sendo um mediador, ou editor.

Alguém concorda (ou discorda)?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Digg altera "algoritmo editorial"

O fundador do Digg, Kevin Rose, anunciou no blog oficial uma mudança no algoritmo que define que submissões ganharão destaque na página principal do site.

Pelos novos critérios, usuários com menos tempo de colaboração seriam privilegiados, pois foi reduzida a média de submissões e votos necessários para se alcançar destaque na capa.

Com menos visibilidade, os usuários veteranos e mais ativos, responsáveis por um grande número de destaques, logo se revoltaram contra a alteração. Entre as críticas, denúncia de manipulação editorial, falta de transparência e autonomia para a comunidade que se formou em torno do site.

Experiência semelhante à troca de um editor de capa de jornal, não? Os repórteres antigos preocupam com a nova política editorial, os novatos animam-se com a possível renovação...

P.S. - Os links acima remetem para sites em inglês. Para português, sugiro a matéria traduzida Digg altera o algoritmo responsável por destaque de conteúdo.